

Um soldado da Polícia Militar do Estado de São Paulo foi condenado a um ano de detenção em regime aberto pelo Conselho Permanente de Justiça da 1ª Auditoria Militar, devido à recusa em executar tarefas de limpeza no quartel onde servia. O caso, que ocorreu em Bauru, gerou debate sobre os limites da hierarquia militar e a formalização de ordens.
A controvérsia iniciou-se em outubro do ano passado, quando um tenente determinou que o soldado, com dez anos de corporação, limpasse um banheiro utilizado por cabos e soldados. A ordem foi transmitida pessoalmente por um sargento. No entanto, o policial não executou a tarefa imediatamente, alegando que precisava de uma formalização por escrito.
Segundo a defesa, o soldado não se recusou diretamente a limpar o banheiro, mas solicitou que a ordem fosse documentada. Os advogados argumentam que o militar sofria perseguição do tenente após questionar a legalidade de uma obra no quartel. A defesa pleiteou a absolvição, sustentando que havia servantas cedidas para serviços gerais no local.
O juiz Bruno Maciel dos Santos condenou o soldado pelo crime de recusa de obediência, previsto no artigo 163 do Código Penal Militar. Na sentença, destacou-se que a hierarquia militar exige pronta obediência a ordens legítimas, mesmo verbais, desde que claras e legais. O magistrado entendeu que a tarefa era parte da rotina administrativa e não representava ofensa à dignidade.
Com a condenação, o soldado corre o risco de enfrentar um processo administrativo que pode levar à demissão. O caso reacendeu discussões sobre os direitos dos policiais militares e a aplicação de punições disciplinares.
É previsto no artigo 163 do Código Penal Militar e puni com detenção de seis meses a dois anos quem, ilegitimamente, se recusar a cumprir ordem de superior hierárquico.
Além da pena de detenção, o soldado pode ser submetido a um processo administrativo que pode resultar em demissão da corporação.
A defesa sustentou que a solicitação por escrito era uma forma de garantir a legalidade, mas o juiz entendeu que ordens verbais são válidas na hierarquia militar.
Em Bauru, no interior do estado de São Paulo, em um quartel da Polícia Militar.