Decisão de Juizado Especial da Fazenda Pública classifica como violência institucional o transporte conjunto de vítima e agressor na mesma viatura, reforçando o dever do Estado de proteger mulheres em situação de violência doméstica.
Uma importante decisão do Juizado Especial da Fazenda Pública estabeleceu um marco na proteção de mulheres em situação de violência doméstica. O entendimento judicial condena a prática de transportar a vítima e o agressor na mesma viatura policial, classificando tal conduta como violência institucional. A fundamentação é clara: o Estado possui o dever inalienável de salvaguardar a integridade de mulheres que sofrem abusos, e expô-las novamente ao contato com seu algoz, mesmo sob a custódia das autoridades, prolonga o ciclo de violência psicológica, em vez de interrompê-lo.
A prática de conduzir vítimas e agressores juntos é profundamente problemática. No momento em que uma mulher decide denunciar, ela já se encontra em um estado de vulnerabilidade extrema. Exigir que ela compartilhe o mesmo espaço físico com seu agressor, por menor que seja o tempo, pode reativar traumas, gerar medo e insegurança, além de minar a confiança nas instituições que deveriam protegê-la. Essa situação, longe de ser um mero inconveniente, configura uma revitimização por parte do próprio poder público.
O tribunal ressaltou que a atuação das forças de segurança deve ser pautada pela máxima proteção à vítima. Isso implica em adotar protocolos que garantam a segurança física e psicológica da mulher desde o primeiro contato com a polícia. A separação dos indivíduos envolvidos, especialmente em casos de violência doméstica, não é apenas uma questão de logística, mas um imperativo ético e legal para assegurar um ambiente seguro e acolhedor para a vítima, facilitando seu processo de denúncia e recuperação.
Essa decisão judicial serve como um importante precedente, reforçando a necessidade de capacitação contínua dos agentes públicos e a revisão de procedimentos operacionais. O objetivo é assegurar que a intervenção estatal, em vez de agravar a situação, seja um verdadeiro refúgio e suporte para as mulheres em risco, reafirmando o compromisso do Estado com a erradicação da violência de gênero e a proteção dos direitos humanos.
Violência institucional refere-se a qualquer ação ou omissão de agentes públicos que cause ou contribua para o sofrimento ou revitimização de uma pessoa, neste caso, ao expor uma mulher vítima de violência doméstica ao seu agressor dentro de uma viatura policial.
O Estado tem o dever fundamental de proteger mulheres em situação de violência doméstica, garantindo sua segurança física e psicológica, e evitando qualquer prática que possa revitimizá-las ou prolongar o trauma.
Embora seja uma decisão de um Juizado Especial da Fazenda Pública, ela estabelece um importante precedente e reforça princípios gerais de proteção à vítima, podendo influenciar a jurisprudência e as práticas em todo o território nacional.
Em casos como este, a vítima pode buscar auxílio jurídico, registrar uma queixa formal contra a conduta dos agentes e acionar os órgãos de controle interno da polícia, além de procurar apoio em centros de atendimento à mulher.