Manifestantes que ocupavam o prédio principal do Ministério da Fazenda, em Brasília, deixaram o local por volta das 14h50 desta quarta-feira (15). O grupo estava acampado no edifício desde as 5h para protestar, entre outros motivos, contra a proposta de reforma da Previdência que tramita no Congresso.
A saída dos ativistas foi pacífica, mas deixou um “rastro de destruição” no interior do prédio. O G1 teve acesso às salas recém desocupadas e encontrou paredes pichadas, videos quebrados e portas arrombadas. A Polícia Federal investiga o caso.
Logo após a saída dos manifestantes, o Eixo Monumental foi liberado nos dois sentidos para o trânsito de veículos. Além de sem-terras, o grupo que ocupou o ministério também era constituído por agricultores familiares e sem-teto.
De acordo com o grupo, havia 7 mil manifestantes; a Polícia Militar contabilizou 10 mil em toda a Esplanada até as 12h e, depois, corrigiu a estimativa para 5 mil. Por volta das 16h, não havia registro de atos desses grupos ou de centrais sindicais na área central da Esplanada.
“Ocupamos o Ministério da Fazenda e pretendemos ficar até quando for possível porque não temos a intenção de negociar e fazer fotos com eles nos gabinetes. Viemos deixar nosso recado para o governo de que não iremos aceitar nenhum retrocesso de direitos”, afirmou Marcos Baratto, da direção nacional do MST.
Pichações contra o governo Temer e a favor da legalização da maconha em gabinete do Ministério da Fazenda, em Brasília — Foto: Wellington Hanna/G1
No início da tarde, representantes das polícias Civil e Federal e dos agentes penitenciários também se reuniram em frente ao Congresso Nacional em protesto contra a reforma da Previdência. Eles pedem que as categorias sejam excluídas das mudanças e mantenham o “status” de profissão de risco, que garante regras diferenciadas de aposentadoria.
Até as 16h, organizadores estimavam a presença de 250 policiais no local. A Polícia Militar monitorou o ato, mas não divulgou balanço de público até o mesmo horário.
Agentes de segurança reunidos no gramado da Esplanada dos Ministérios, em Brasília — Foto: Wellington Hanna/G1
O presidente do Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal, Flávio Werneck, afirma que, com as mudanças propostas pelo Executivo, a segurança pública no Brasil pode piorar. “Um dos únicos atrativos para a profissão era a forma de aposentaria”, justifica.
Segundo ele, da forma como está, a reforma da previdência vai transformar a aposentadoria dos policiais em “auxilio fúnebre”. “A expectativa de morte dos polícias é em torno de 60, e o governo quer que a gente trabalhe até os 65. Não é assim em outras grandes nações, inclusive nas mais liberais”, argumenta.