As chances de Marina em seis pontos

EDIÇÃO N. 189: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO I
28 de março de 2025
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Foto: Reuters

Crédito, REUTERS

Legenda da foto, Marina deve ser anunciada candidata na quarta-feira

A morte de Eduardo Campos mudou o cenário da corrida à Presidência no país e alçou sua candidata à vice, Marina Silva (PSB), ao primeiro plano da disputa.

Em um momento de comoção, Marina – que deve ser anunciada oficialmente como substituta de Campos na quarta-feira-, largou bem na pesquisa eleitoral do instituto Datafolha, com 21% das intenções de voto.

Mas a ex-ministra do Meio Ambiente também enfrentará desafios, como o pouco tempo de TV e uma possível falta de palanques regionais.

A BBC Brasil listou vantagens e obstáculos que Marina terá em seu caminho.

Vantagens

Posição nas pesquisas

Após conquistar 19,6 milhões de votos em 2010, Marina aparece com 21% das intenções de voto na primeira pesquisa Datafolha após a morte de Eduardo Campos. Ela está em empate técnico com o candidato do PSDB, Aécio Neves, segundo o levantamento divulgado pela Folha de S.Paulo.

No segundo turno, a ex-senadora tem 47% das intenções de voto – tecnicamente empatada com a presidente Dilma Rousseff, que tem 43%, já que a margem de erro do levantamento é de dois pontos para cima e para baixo.

Uma incerteza é quanto os eleitores estão influenciados, neste momento, pelo impacto da morte trágica de Eduardo Campos, nem como a imagem de uma candidata “de luto” poderá influenciar a votação.

Em um pesquisa realizada em abril, Marina obteve 27% dos votos, o que sugere que ela ainda tem potencial para crescer. Segundo o Datafolha, 8% dos brasileiros que não votam nela hoje são receptivos ao seu nome – ou seja, são votos possíveis de serem conquistados.

Protestos de junho

Analistas consideram que Marina Silva foi a candidata que mais se beneficiou dos protestos de junho do ano passado.

Nas ruas, a população demonstrou desânimo com a política tradicional, um espírito que se conforma ao discurso da ex-senadora que defende uma “nova forma de fazer política”.

Esse desencanto aparecia nas pesquisas eleitorais, que mostravam 27% de eleitores sem candidato.

O Datafolha avalia que, ao entrar na disputa, Marina capturou esses eleitores: votos nulos, brancos e de indecisos agora são 17%.

Voto religioso

Marina é da Assembleia de Deus e pode conquistar os votos dos religiosos, que tiveram um papel importante nas eleições mais recentes.

Em 2010, a ambientalista teve boa votação depois que lideranças religiosas – evangélicas e católicas – pregaram o voto anti-Dilma. A presidente estava envolvida em uma polêmica sobre as suas posições sobre aborto.

Marina já disse publicamente que é contra o aborto, mas defendeu um plebiscito sobre a questão.

A maior parte das igrejas evangélicas se associou, neste ano, à candidatura do pastor Everaldo, do PSC. Mas, com a entrada de uma evangélica na linha de frente da disputa, parte dos votos pode migrar para ela.

Segundo o censo do IBGE de 2010, 22,2% da população brasileira se dizia evangélica e 64,6% era católica.

Desafios

“Praga” da terceira via

Desde a redemocratização, nenhum candidato que chegou em 3º lugar na corrida presidencial conseguiu repetir o mesmo desempenho na eleição seguinte.

Brizola, Enéas, Ciro Gomes, Garotinho e Heloísa Helena ou não concorreram de novo ou tiveram votações piores que a de anos anteriores.

A teoria por trás disso é que há um desgaste dos candidatos que, antes, eram vistos como novidade.

Pouco tempo de TV e palanques regionais

Marina terá cerca de dois minutos diários na propaganda eleitoral na TV – menos que seus adversários Dilma Rousseff e Aécio Neves.

O horário eleitoral é considerado a mais importante plataforma de exposição dos candidatos, principalmente por causa dos comerciais que são exibidos no meio da programação.

Partidária da chapa Campos-Marina (Foto: Reuters)

Crédito, Reuters

Legenda da foto, Pesquisa do Datafolha indica que candidata sairia com 21% da preferência dos eleitores

Por outro lado, Marina terá mais tempo agora do que tinha em 2010, quando concorreu pelo PV.

A ex-senadora também pode enfrentar dificuldade com seus palanques regionais.

Como Marina se abrigou no PSB apenas por não ter conseguido montar a Rede, não aprovava alguns dos apoios costurados por Eduardo Campos.

É possível, dessa forma, que os candidatos nos Estados não se empenhem por sua candidatura.

Plataforma incerta

Em típico “marinês”, o programa lançado pela chapa da ambientalista traz “eixos programáticos” e expressões como “democracia de alta intensidade”, “empoderamento humano” e “brasileiros socialistas e sustentabilistas”.

Em uma abordagem mais objetiva, Campos já havia feito diversas promessas que não apareciam no programa, como o passe livre estudantil.

Na campanha, Marina terá que superar duas importantes contradições. A primeira é conciliar seu discurso com o do PSB e de outros partidos da coligação O exemplo mais claro dessa tarefa é a relação com o agronegócio, no qual Campos tinha bom trânsito e com o qual a ex-ministra do Meio Ambiente já teve atritos.

Também será preciso conciliar as suas próprias posições, tidas muitas vezes como conservadoras, com a de seu eleitorado, composto em grande parte por jovens e moradores de grandes centros, que tendem a ser mais progressistas.



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